De Sucupira para o mundo

 

1º/10/2021

 

Estamos há quase dois anos sofrendo as consequências de uma pandemia que deixou o mundo de joelhos.

Mas graças à ciência e às vacinas a situação começa ser controlada em diversos países do mundo, inclusive aqui no Brasil onde grassou uma pavorosa campanha negacionista (além de uma política negocionista, desmascarada pela chamada CPI da Covid).

Mesmo com o triunfo dos meios científico e da racionalidade numa das maiores crise sanitárias já enfrentadas na história da humanidade, o presidente Jair Bolsonaro ainda insiste em seguir a sua cartilha político-eleitoral de ignorar o óbvio.

Mesmo reconhecendo (tardiamente) o papel da imunização em massa na contenção da doença, o presidente brasileiro, no púlpito da ONU, repetiu em linhas gerais a sua doutrina de ir na contramão do bom-senso.

Depois do showmício do dia 7 de setembro, quase todo mundo acreditava que o ex-mito tinha chegado ao auge de seus delírios obscurantistas. Mas o seu discurso no mais importante fórum de todas as nações do mundo entrou também para a história. E pelos motivos mais negativos possíveis.

Quem discursou não foi um chefe de Estado de um país que chegou a ser a sexta economia do globo. Quem discursou foi um político rastaquera que, em crise de popularidade e de governança, repetiu palavras de ordens que só fazem sentido aos seus seguidores mais fanáticos (e cada vez menos numerosos).

A exemplo do fatídico 7 de setembro, Bolsonaro projetou uma realidade virtual de um país onde a corrupção não existe mais, a economia está bombando e a preservação ambiental é a melhor do mundo. Haja óleo de peroba.

Mas o espetáculo non-sense não parou por aí. Impedido de entrar em restaurante por não obedecer às regras mínimas de segurança sanitária, o presidente e a sua comitiva tiveram que comer pizza na rua. E ainda posaram para foto como se achassem que estavam fazendo bonito.

Pior que isso só mesmo o ministro da Saúde (um ministro de Estado) fazendo gestos obscenos contra manifestantes. Como se fosse um castigo divino, o dr. Queiroga acabou contraindo covid e está até agora em quarenta nos Estado Unidos (ou seria um pretexto para ficar longe do país até que o mal estar de sua malcriação se dissipasse?)

E fechando com chave de ouro essa tour de insensatez em série vazou a notícia de que a primeira-dama Michele Bolsoraro tomou a vacina contra o coronavírus enquanto esteve lá em Nova York, desprezando assim todas as campanhas de imunização realizadas aqui pelo nosso SUS.

O jornalista Octavio Guedes, do canal de notícias de TV a cabo Globonews, costuma dizer que o Brasil virou uma grande Sucupira.

Para quem não sabe Sucupira é uma cidade imaginária do litoral baiano, retratada na telenovela O Bem Amado, da década de 1970, e que depois virou série na mesma TV Globo, na década de seguinte. A cidade é administrada pelo folclórico prefeito Odorico Paraguaçu que tem como grande ambição inaugurar o primeiro cemitério municipal.

Brilhantemente interpretado por Paulo Gracindo na novela e na série (e depois por Marco Nanini no cinema) Odorico Paraguaçu é a quintessência dos nossos políticos. De ontem e de hoje.

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