A caixa-preta da caixa-preta

 

31/01/2020

 

Em março de 2018, quando o país começava a entrar em clima eleitoral, o governo do presidente pós-impeachment Michel Temer resolveu realizar uma grande auditoria sobre todos os contratos do BDNES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) realizados durantes os governos do PT (mais especificamente entre os anos de 2005 e 2018).

À época se dizia que seria aberta a “caixa-preta” do banco estatal e que haveria a grande possibilidade de vir à público grandes maracutaias impetradas durante a era lulo-petista.

Foi contratada a empresa de auditoria Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP.

Pois bem, quase dois anos depois, a auditoria foi concluída e não foi encontrada qualquer irregularidade naquele período. A “caixa-preta” do BDNES foi uma daqueles fake news que contaminou (e vem contaminando) o ambiente político do país, com informações desencontradas e mesmo deturpadas, criando convicções absolutas na cabeça daqueles cidadãos que, conforme a sua tendência política, aderem a um ou outro tipo de narrativa.

Mas a história não termina por aí. Os serviços deste escritório, que teve dois aditivos no seu contrato, custou aos cofres públicos nada menos que 48 milhões de reais.

O TCU (Tribunal de Contas da União) já deu um prazo para que o banco estatal dê explicações sobre os gastos desta auditoria. Com bem apareceu estampado na manchete do jornal O Estado de S.Paulo do último dia 24, a auditoria da caixa-preta virou uma outra caixa-preta.

O atual presidente do banco, Gustavo Montezano, quis lavar as mãos ao dizer que o contrato da auditoria foi realizado pela gestão passada. Mas os dois aditivos foram aprovados já no atual governo, do grande Jair. Aliás o próprio Montezano assinou um aditivo de 15 milhões de reais a apenas dois meses antes do fim da auditoria.

Falando no Jair, o presidente foi um pouco mais que um siluriformes ensaboado ao ser questionado pelo valor exorbitante do contrato. Numa coletiva de imprensa ele afirmou: "A caixa-preta já foi aberta, bilhões gastos em outros países". Depois virou as costas e foi embora.

Educação em vertigem

O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) foi criado durante o governo FHC, pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Herdado pelos governos petistas, foi aperfeiçoado por ministros como Fernando Haddad.

No decorrer do tempo tornou-se um importante instrumento de avaliação dos estudantes secundários, prestes a ingressar nas Universidades. Tornou-se tão importante quanto os exames vestibulares, que eram um verdadeiro pesadelo para os adolescentes do passado.

Pois bem, no governo da nova era, até o ENEM já começar a pipocar, tal qual o atendimento ao público do INSS. Sob a batuta do “imprecionante” Abraham Weintraub, o exame do final do ano passado apresentou falhas sérias na atribuição das notas de vários estudantes.

Weintraub até admitiu os problemas, mas sem perder aquela aura triunfalista de que está fazendo a melhor gestão do MEC de todos os tempos.