Sonho de verão

 

29/01/2021

 

O presidente mito acaba de entrar no terceiro ano de seu mandato e, a despeito de tudo que o mané botequeiro já tá careca de saber, ele conta com o apoio de cerca de 30% dos brasileiros. Uma resiliência espantosa.

Meio que inebriado com essa sua tropa fidelíssima, o presidente parece se fechar em uma bolha supostamente protetora que o deixa incólume de qualquer ameaça interna.

Naturalmente que não é bem assim. A despeito de ainda contar com um apoio político considerável, tudo pode se deteriorar rapidamente a depender dos cenários, nada auspiciosos, que os experts projetam em as suas análises do futuro próximo.

Por conta disso parece que o impeachment entrou definitivamente na agenda política e irá pautar daqui pra frente os passos e os lances dos principais atores políticos e sociais dessa Pindorama (conta-se aí o Centrão que, por ora, ainda fecha com o presidente).

Paralelo a isso continuam nos bastidores da Corte as discussões de possíveis candidaturas para 2022 (com ou sem impeachament do atual).

Nessa corrida maluca dos chamados partidos de centro por uma candidatura que seja palatável ao povão volta a baila o nome do apresentador Luciano Huck. Por conta da pandemia ainda sem data para acabar as articulações em torno de seu nome ficaram no gelo. Mas em vista da queda de popularidade do presidente capitão detectada pelo última Datafolha, os simpatizantes huckistas voltaram a se animar.

Quem lógico não gosta nem um pouco dessa ideia é o governador paulista João Doria, que tenta com a vacina chinesa se consolidar com a melhor alternativa de poder para a chamada direita moderada.

Vinte e um meses (o tempo que falta para o primeiro turno das eleições 2022) parece muito tempo, mas para o mundo político não é. Por isso daqui pra frente muitos balões de ensaio serão lançados, hipóteses serão testadas e as conversações se intensificarão.

Hoje o sonho de verão de muita gente, no meio dessa pandemia, é que surja uma espécie de Joe Biden brasileiro.

O Parasita

O editorial do domingo passado do Estadão, “O bom combate”, foi curto e grosso logo no primeiro parágrafo: “O presidente Jair Bolsonaro é um parasita das iniciativas alheias”. Segundo o tradicional matutino dos Mesquitas o mito é pródigo em se apossar de ideias que deram certo, propagandeando por aí que partiram dele próprio.

Isso faz lembrar aquela antiga propaganda de cigarro que fez surgir a famosa Lei de Gérson: “O importante é levar vantagem em tudo, certo?”.