Somos todos Homer Simpson?

 

26/03/2021

 

Esse espaço já discorreu diversas vezes sobre um episódio clássico da série animada “Os Simpsons”.

Só para refrescar a memória do nosso amigo, ex-rei dos botecos do Brasil: no referido episódio, o patriarca da família mais aloprada da América do Norte, Homer Simpson, comete mais uma de suas intermináveis lambanças. Ao ser censurado pela filha certinha Lisa, o homem amarelo responde candidamente: “Lisa, eu não posso mudar o futuro”.

Essa frase, absurdamente tragicômica, poderia ser aplicada ao nosso pobre país, que teima em não aprender com os equívocos dos passados, sejam remotos ou recentes.

Meses atrás, quando assistíamos à ação devastadora da nova variante do coronavírus no estado do Amazonas, o dr. Mandetta, que um dia foi o ministro da Saúde do mito, preconizou: “o Brasil poderá ser tornar uma grande Manaus”.

Em meio à guerra política que se tornou o problema da pandemia, essa afirmação passou quase despercebida, diante da preocupação nacional para comprar vacinas, de qualquer que seja a sua procedência. Aliás, nesse interim, os absurdos presidenciais continuaram a pleno vapor, com o messias chegando a afirmar que um certo estudo provava que o uso de máscaras era até prejudicial para a prevenção do bichinho mal.

Pois bem, em pouco tempo, a cepa manauara se espalhou, feito um incêndio incontrolável, rapidamente para o resto do país. Muito mais transmissível e agressiva, a variante verde-amarelo vem contaminando muito mais pessoas, notadamente os mais jovens.

Assim, um ano depois do início “oficial” da pandemia por essas praias, os sistemas de saúde de todos os estados estão simplesmente colapsando diante do crescimento geométrico de pacientes infectados.

Naturalmente essa fase mais apocalíptica da doença afetou diretamente a popularidade do presidente Jair, conforme constatou o último Datafolha. Mas mesmo assim cerca de 30% dos entrevistados ainda aprovam o governo federal nas ações contra a covid-19.

Coisas da política

Essa crise chegou a uma tal proporção que provocou algo impensável anos atrás: uma aproximação entre o PT e o PSDB.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se arrependeu de ter votado em branco em 2018, agora afirmou que pode até votar no PT em 2022 para evitar o mal maior.

Até o governador João Doria vai no mesmo sentido. Semanas atrás ele ligou para a presidenta do PT, Gleisi Hoffman, informando que deu prioridade nas investigações policiais de um militante bolsonarista que ameaçou Lula da Silva nas redes sociais.