A jararaca voltou

 

19/03/2021

 

Movido por paixões e ódios, Lula da Silva ganhou diversos apelidos durante a sua carreira político.

Em 1989, quando se candidatou pela primeira vez à presidência, era chamado de “sapo barbudo”.

Muito tempo depois, já preso pela lavajato, os bolsonaristas, principalmente, o mencionava nas redes sociais simplesmente como “pinguço”.

No auge das manifestações que culminaram com o processo golpista do impeachment, lá em 2013, os belgas em uníssono gritavam que era preciso matar a “jararaca”.

Pois é, eis que em uma bela manhã, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin tomou uma decisão e, numa só tacada, anulou todas as condenações contra o ex-presidente petista. Tem uma justificativa sólida para isso: o foro que aplicou as sentenças contra a jararaca, Curitiba, era incompetente para todo (no sentido jurídico logicamente).

Assim, da noite para o dia, Lula recuperou automaticamente os seus direitos políticos e está apto, por ora, a disputar as eleições de 2022.

É lógico que a decisão monocromática de Fachin terá que ser referendada pelo colegiado do Supremo, mas como dizia o tataravô do mané botequeiro, pelo andar da carruagem, isso caminha para ser um fato consumado.

Guardada as devidas proporções, a volta de Lula nesse ano de 2021 pode ser comparada ao retorno do ex-ditador Getúlio Vargas à arena política em 1950, após um breve exílio interno e relevada numa bombástica entrevista dada ao jornalista Samuel Wainer.

Pois é. Não somente uma, mas todas as nuvens desse Brasil anil mudaram completamente de formatação. A jararaca está no páreo.

Dias depois da decisão espetacular de Fachin, o próprio Lula fez um longo discurso na sede do sindicato dos metalúrgicos do ABC, o seu histórico berço sindical e político.

Falou de tudo um pouco e num tom bem coloquial, como só alguém que veio de baixo pode ter, Lula se dirigiu a não somente um, mas a vários públicos. Falou, em grande medida, para o povão (que ele conhece tão bem), mas também para os empresários, para a classe média e, também para os outros atores políticos, com o do chamado centro autêntico. A jararaca continua com a lábia afiada.

Ainda no seu primeiro mandato, há quase vinte anos, Lula disse numa entrevista o seguinte: “Não sou conservador e sim conversador. Eu posso conversar com tudo mundo. Posso concordar com uma pessoa em 50% das coisas. Os outros 50% eu negocio.”

Ciro Gomes

A ideia, naturalmente, não é unânime dentro do PT, mas há quem defenda que a vaga de vice numa eventual chapa de Lula para 2022 seja oferecida a Ciro Gomes.

Perguntado por José Luiz Datena, no programa “Manhã Bandeirantes”, da rádio Bandeirantes, se aceitaria ser o vice do petista, o político cearense desconversou.