Coronavírus 7 x 1 Brasil

 

22/05/2020

 

E o Brasil vem perdendo de goleada para o bichinho do mal.

Com um presidente indo de encontro a tudo que a sensatez, o bom senso e a ciência apregoam para o combate à pandemia, o país vêm dia a dia aumentando o número de infectados, o número de óbitos e colapsando o sistema de saúde e em consequência produzindo cenas dantescas de aberturas de covas nos cemitérios em escala industrial.

As suas diretrizes para o ministério da Saúde são claras e curtas: chega de isolamento social e cloroquina para todo mundo. Tá ok?

Como o nosso amigo mané, proscrito dos pubs brasilianos, bem sabe o presidente Jair não tem espelho retrovisor do seu carro. Só olha pra frente, mais especificamente, nas eleições de 2022, quando acalenta renovar o seu mandato por mais quatro anos.

Naturalmente há uma pedra nesse caminho. Ou um pedregulho.

As cenas daquela famosa reunião ministerial do dia 22 de abril (vistas por pouquíssimos mas comentadas por todos) evidenciam de que realmente o presidente queria (e quer) um controle direto e reto nas investigações da Polícia Federal, principalmente quando são alvos a sua trindade familiar ou aliados próximos a ele.

Mas como no âmbito da Justiça as coisas devem ser muito bem redondas, é possível que o Procurador Geral da República, Augusto Aras, não se veja empolgado para aceitar a denúncia e dê um ponto final no assunto.

Politicamente, todavia, o episódio irá gerar consequências, como já vem gerando diga-se de passagem.

É dando que se recebe

Vislumbrando o tsunami que vem se formando no horizonte e que pode atingir o seu governo, o presidente Jair ordenou que todos os ministérios abram as suas porteiras para os políticos do Centrão, com quem ele vem negociando abertamente.

Velhos nomes da velha política ressurgiram, no meio desse pandemônio político, como Carlos Marun (MDB-MS), que foi da tropa de choque ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, e foi secretário de governo na fase crepuscular e melancólica do governo pós-golpe de Michel Temer.

Também veio à tona o ex-deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), muito conhecido por ser citado nas delações da lavajato. Não conseguiu se reeleger em 2018.

Mas ambos foram contemplados pelo capitão para integrarem o conselho da poderosa estatal energética Itaipu Binacional.

Outro quase moribundo político que está prestes a ser ressuscitado é o também ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Ele sonha em assumir o ministério do Trabalho, que pode ser recriado a qualquer instante.