O acordo Mercosul-União Europeia
16/01/2026
“Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o acordo Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo.” Assim comentou o presidente Lula, em rede social, a decisão tomada no último dia 9 de janeiro pelo bloco europeu, por ampla maioria. A informação é do site oficial de notícias agência Gov.
A proposta obteve apoio de de 22 dos 27 Estados-membros – eram necessários ao menos 15 votos. A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enfatizou o caráter histórico da aprovação. “A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica”, escreveu Ursula em sua conta na rede social X.
“A Europa está enviando um sinal forte. Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, acrescentou Ursula, responsável por por executar as decisões do Parlamento e do Conselho europeu. Desse modo, a líder europeia poderá viajar para o Paraguai, já na próxima semana, para ratificar o acordo com os países-membros do Mercosul. O Paraguai assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa pro tempore do bloco.
“A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões”, afirmou Lula.
Ainda de acordo com o presidente, o texto amplia alternativas para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais para os dois lados. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, celebrou.
Para o Brasil, o acordo possui valor estratégico em múltiplas dimensões. A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do país, com corrente de comércio de cerca de US$ 95,5 bilhões em 2024. O entendimento tende a estimular investimentos, favorecer a modernização do parque industrial brasileiro, ampliar a competitividade da economia nacional e fortalecer a integração do Brasil às cadeias globais de valor, além de reforçar a posição da União Europeia como principal origem do investimento estrangeiro direto no país.
Além do pilar comercial, o acordo estabelece mecanismos permanentes de cooperação política e diálogo institucional, reafirmando compromissos comuns com a democracia, os direitos humanos e o multilateralismo. Em um cenário internacional marcado pelo avanço do protecionismo e por crescentes tensões geopolíticas, o entendimento sinaliza a disposição dos dois blocos em fortalecer regras internacionais baseadas na previsibilidade, no diálogo e na cooperação.
Inflação dentro da meta
O Ministério da Fazenda comemorou o resultado da inflação oficial de 2025. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano em 4,26%, dentro do sistema de metas e com a quinta menor taxa registrada desde 1995, início do Plano Real.
A avaliação é do secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, que ocupa interinamente o cargo de ministro da Fazenda. Segundo ele, o resultado consolida um cenário de maior estabilidade econômica e reforça a meta do governo de entregar a menor inflação acumulada de um mandato presidencial desde a criação do real. A informação é do site oficial de notícias agência Brasil.
“Os 4,26% são o menor IPCA desde 2018. Mas, em 2018, o desemprego estava em 11,6%. Agora está em 5,2%. Estamos entregando inflação e desemprego baixos”, afirmou Durigan, em publicação nas redes sociais.
O ministro interino destacou ainda que o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro ao longo de boa parte do ano. No primeiro semestre de 2025, o boletim Focus chegou a apontar projeções de inflação próximas de 5,6%.
Outro ponto ressaltado por Durigan foi o comportamento mais moderado dos preços dos alimentos, que tiveram alta de 1,43% no ano, contribuindo para a desaceleração do índice geral. No grupo alimentação e bebidas, a inflação ficou em 2,95%, bem abaixo dos 7,69% registrados em 2024.
“Com a estabilidade econômica e fiscal que devolvemos ao Brasil, colhemos bom crescimento do PIB, baixo desemprego, aumento da renda real do trabalho e quedas da pobreza, da extrema pobreza e da desigualdade. Não tenham dúvidas: em 2026 não será diferente!”, declarou.
Torcida única
20/12/2019
Em uma entrevista concedida semana passada ao jornal Folha de S.Paulo o governador da Bahia, Rui Costa, ao comentar o clima de polarização que vive o país, disse o seguinte: “As pessoas não querem conversar mais. As pessoas estranham quando dois políticos adversários conversam. Torcida única em estádio virou lugar-comum, é um retrocesso gigantesco. Isso é um mal.”
Torcida única, bem sabe o nosso amigo mané dos pubs do Brasil, é quando em uma partida de futebol que envolve dois grandes times, por questões de segurança, somente uma das torcidas destas equipes ocupam o estádio.
Não poderia ser mais precisa essa definição do governador para mostrar a que ponto chegamos. O grau de intolerância e beligerância é tamanha que pessoas com diferentes posições e opiniões não podem se encontrar sem o risco de irem às vias de fato.
Assim, os grandes debates nacionais, quando se realizam, obedecem a este esquema dicotômico: os do lado de lá falam uma coisa e os do lado de cá falam outra coisa. E fica por aí mesmo.
Não há uma mediação, não há uma troca de ideias, pensamentos, de fomento do contraditório. Como disse Rui Costa: “As pessoas estranham quando dois políticos adversários conversam”.
Todo mundo acaba perdendo com essa situação. Principalmente a democracia.
Sem filé mignon
Com o preço do acém se aproximando ao da picanha é curioso observar o comportamento diante da crise da carne.
Age (ou não age) como se o problema não fosse com ele. Afinal de contas, como diria o posto ipiranga, o mercado se autorregulará e tudo voltará ao normal.
Tucanadas
Como já é meio que tradição dentro do PSDB, a disputa da liderança na Câmara dos Deputados foi bastante acirrada. Se diglariaram as tropas do governador paulista João Doria e do deputado mineiro Aécio Neves, que tenta renascer das cinzas. O segundo venceu a peleja ao emplacar o desconhecido Celso Sabino, do Pará.
A relação entre essas duas lideranças do alto tucanato mais parece um eletrocardio de um hipertenso.
Lá trás, quando as gravações dos irmãos Batistas vieram à público e comprometeram o então senador, Doria, já prefeito de São Paulo e estrela em ascensão, foi um dos primeiros a pedir a sua expulsão.
Meses depois, quando disputava com o seu padrinho político, Alckmin, a indicação a candidato à presidência, Doria se aproximou do seu desafeto e mudou o discurso.
Mais de um ano depois voltam a se enfrentar. Com o triunfo de Neves a correlação de forças dentro do PSDB parece ter encontrado um ponto de equilíbrio.
Até a próxima disputa.


