Ligações perigosas

1º/11/2019

O nosso amigo mané, rei dos botecos, era ainda jovem quando Fernando Collor de Mello ganhou as primeiras eleições diretas para a presidência da República, após o regime militar.

Ele lembra também da figura de Paulo César Farias, que foi a grande eminência parda dos pouco mais de dois anos de governo Collorido.

PC Farias, como era mais conhecido, comandou um grande esquema de corrupção na máquina pública federal. O esquema foi denunciado por ninguém menos que pelo irmão do presidente, Pedro Collor de Mello.

O final da história é aquele conhecido: Fernando Collor sofreu impeachment e foi substituído por Itamar Franco. PC Farias, após fugir do país, foi capturado e preso. Morreu em 1996, em circunstâncias misteriosas, ao lado da namorada.

Difícil não lembrar desse episódio quando se escuta as ligações de WhattsApp de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, divulgadas recentemente pelos jornais O Globo e Folha de S.Paulo. Com uma desenvoltura incrível, Queiroz dá a entender que consegue intermediar a nomeação de indicados para cargos comissionados existentes tanto no Câmara dos Deputados quanto no Senado. Em um dos trechos revelados pelo diário fluminense ele diz o seguinte: “Tem mais de 500 cargos, cara, lá na Câmara e no Senado. Pode indicar para qualquer comissão ou, alguma coisa, sem vincular a eles (família Bolsonaro) em nada”. E completa: “20 continho aí para gente caía bem pra c**”.

Já no áudio obtido pela Folha o ex-assessor reclama que sente desprotegido diante das investigações do Ministério Público. "É o que eu falo, pô, o cara lá está hiperprotegido. Eu não vejo ninguém mover nada para tentar me ajudar, aí. Ver, tal. É só porrada, cara. O MP está com uma p*** do tamanho de um cometa para enterrar na gente e não vi ninguém agir", lamenta o ex-policial.

Tanto o Flávio quanto o Jair alegaram que há “meses” que não falam com o Queiroz.

De fato, essas gravações, por si só, não podem ser tomadas como provas cabais de que o mesmo continua atuante nos bastidores do novo status quo.

Mas certamente acrescenta um novo vetor de instabilidade do atual governo que já vem sofrendo fortes abalos por conta da implosão do PSL, cindido em dois: o PSLdoB (Bivar) e o PSLdoB (Bolsonaro).

Pelo jeito 2019 ainda não acabou.