A doença do presidente

 

17/07/2020

 

No mês de março deste ano, quando a pandemia já começava a se espalhar pelo mundo inteiro, o presidente Jair fez uma viagem oficial à América do Norte, para se encontrar com o seu colega do Trumpistão.

Uma comitiva de nada menos que 45 pessoas acompanharam o chefe de governo brasileiro, entre assessores presidenciais, políticos e empresários.

À época, tanto Trump quanto Jair subestimavam os perigos potenciais que o bichinho do mal poderia provocar.

O fato é que, após uma estadia de quatro dias por aquelas praias, a animada trupe voltou ao Brasil com nada menos que 23 pessoas contaminadas. Os Estados Unidos, após a Europa, começavam a se configurar como o grande epicentro mundial da doença.

Naqueles dias a pergunta que não queria calar era se o próprio presidente não tivesse também pego também o corona-vírus.

Desde o início o presidente negou essa possibilidade. Chegou a fazer três exames que deram resultados negativos. Todavia, nestes exames, havia nomes diferentes aos do Jair. Em nota oficial, o Palácio do Planalto dizia que o presidente tinha usado pseudóminos ao fazer os testes. A razão disso nunca foi explicada claramente.

Uma grande névoa de dúvida pairou pelo país diante disso. A opinião pública de uma maneira geral, e os opositores, em particular, exigiam melhores esclarecimentos sobres esses resultados. Esse imbroglio descambou numa crise política. Até o STF entrou no meio dessa discussão.

Nesse meio tempo a pandemia se espalhou de vez pelo país todo, provocando os previsíveis e calamidades previstas pela equipe do dr. Mandetta, o ministro da Saúde na época.

Eis que na semana passada, quando o país experimentava uma relativa tranquilidade após passar por uma grande tormenta político-institucional, o presidente vem a público e diz que, finalmente, tinha contraído a covid19. Ele mesmo afirmou que tinha sentido uma pequena “indisposição” e foi encaminhado ao Hospital para os exames necessários.

Já diagnosticado e devidamente isolado, o presidente fez uma live confirmando a doença, mas tranquilizando a todos de que estava, apesar de tudo, passando bem. Aliás fez questão de dizer que, logo que sentiu os sintomas, tomou uma dose da tão polêmica cloroquina.

Como, a exemplo da primeira vez, o resultado do exame não veio a público (pelo menos num primeiro momento), os que são sempre do contra já lançam vários questionamentos sobre a veracidade dos fatos divulgados pelas fontes oficiais.

Isso faz lembrar aquele antigo seriado de ficção científica que tinha como epíteto: “A verdade está lá fora”.