Quem tem medo do Lula mau?

08/11/2019

Lula chegou chegando.

Mal saiu da sede da PF em Curitiba, o líder mor das esquerdas foi chutando o pau da barraca, desancando Bolsonaro, Moro, a “banda pobre” do Estado e outros inimigos do povo.

Nem causa surpresa esse discurso beligerante do ex-presidente. Afinal, como o nosso parça mané, reis dos pubs, está careca de saber, num ambiente de radicalização quem ganha são os extremos.

Portanto, essa retórica aguerrida tem muito mais de estratégia do que qualquer outra coisa. Além disso, serve também para animar a militância que, nesses 580 dias, ficou um tanto desanimada com a ausência de seu messias.

Costuma-se dizer que em política até a raiva é combinada.

2019 está acabando e chegaremos a 2020 com mais do mesmo. Os dois pólos antagonistas se atacando mutuamente e um retroalimentando o outro.

É uma tática que serve para os dois lados mas que para o país, de uma maneira geral, e para a democracia, em particular, provoca efeitos colaterais um tanto indesejados.

Mas se o Lula do palanque, dos holofotes da mídia, é esse que estamos assistindo, o Lula do mundo político, das conversas com os outros players do jogo político, é bastante diferente. O próprio matuto costuma dizer: “Posso concordar com 50% da opinião de uma pessoa. Os outros 50% eu negocio”.

O sonho dourado do ex-presidente (quase uma utopia) é que os processos contra eles sejam anulados (por presumida suspeição da atuação do então juiz Sergio Moro) e ele possa, ele mesmo, ser candidato à presidência em 2022.

Mas como ele sabe que isso seria bom demais para ser verdade, já tem um plano B na cabeça que vai colocar em prática desde já. Retomará as caravanas pelo país afora e conversará com muita gente. Com os antigos aliados e os que aqueles que concorda com ele em 50%.

A volta dos belgas

Já no sábado, um dia depois da libertação de Mandela (ops, desculpe, de Lula) os belgas voltaram às ruas para demonstrar apoio as duas PECs (Proposta de Emenda Constitucional), uma que tramita na Câmara e outra no Senado, e que determinam a prisão logo após o julgamento em segunda instância.

Alguém deve avisar a essa turma que o artigo 5º da Constituição é cláusula pétrea. Nem PEC pode mudar isso.

Somente uma nova Constituição.