Réquiem para a lavajato

13/09/2019

Na guerra civil digital que se transformou as redes sociais no Brasil os petistas costumam provocar os bolsonaristas com a seguinte pergunta: “Cadê o Queiroz?”.

Como o nosso amigo mané botequeiro deve saber, o Fabrício Queiroz era o assessor de um dos filhos do mito que, na época que era deputado estadual no Rio de Janeiro, fez movimentações atípicas na sua conta corrente.

Recentemente surgiu a revelação de que a esposa de um dos líderes das milícias daquele estado estava na “folha de pagamento” de Queiroz.

O mané também sabe que essas movimentações atípicas foram reveladas pelo Coaf, um órgão que era do ministério da Justiça e que foi devidamente transferido para o ministério da Economia, por expressa ordem presidencial.

Na própria Receita Federal o braço longo do presidente mudou o titular da subscretaria-geral deste órgão. Foi colocado em seu lugar um auditor mais alinhado com o Palácio do Planalto.

Outra ação direta foi na Polícia Federal, onde o Bolsonaro mor declarou publicamente que exige a troca do superintendente-geral, batendo assim de frente com ninguém que o seu ministro favorito, Sergio Moro.

Como se pode perceber todas essas intervenções foram em órgãos estatais que foram chaves para que a Lavajato realizasse todas as suas operações desde que foi criada.

Agora o Jair prepara mais uma ação que pode ser considero o último prego no caixão da força-tarefa que surgiu em Curitiba: a nomeação do novo procurador-geral. Rejeitando a chamada lista tríplice o presidente apontou o dedo para um ilustre desconhecido: o subprocurador Augusto Aras.

Após diversas reuniões com o comissariado bolsonarista, Aras parece ter entendido a sua missão a partir do momento em que assumir a titularidade de um órgão que sempre primou pela independência institucional.

E em todo este interim o presidente irá sancionar, com poucos vetos, a chamada Lei de Abuso de Autoridade. Num país como o Brasil, onde sempre a arbitrariedade dos poderosos imperou, uma lei deste tipo até faz sentido. Mas ficou claro que os políticos a lapidaram judiciosamente para que se transformasse num freio do ímpeto lavajatista.

Será o a cereja do bolo.

Nessa operação desmonte que está liquidando um força-tarefa que mudou a história recente do país, é de se perguntar qual será o futuro do seu paladino, o Moro, ainda na Esplanada do Ministério.

Logicamente ele ainda conta com um alto grau de aprovação da população, como indicam as pesquisas de opinião. Mas e daí? O que isso serve na prática?

Todos os projetos importantes que ele queria implementar foram devidamente liquidados pelo chefe-mor.

Aliás, a lavajato começou a morrer quando o ex-juiz aceitou participar deste governo.