“Hay gobierno? Soy independiente”

 

11/12/2020

 

O leitor já escutou falar de “meia-gravidez”? Pois é, tem certas coisas que são absolutamente binárias: ou é uma coisa ou é outra.

Mas no Brasil das jabuticabas as coisas não são bem assim. Como aqui a nossa realidade tem uma infinidade de tons de cinza, no campo da política surgem categorizações que são desconhecidas por outras praias.

Num sistema convencional de jogo político existe a situação e a oposição. A situação é o bloco de parlamentares que apoiam o governo (por isso são chamados também de governistas). E a oposição, naturalmente, é o grupo contrário, que faz o contraponto ao mandatário de plantão. Tudo muito lógico, coerente e cartesiano.

Porém, de uns tempos para cá, surgiu uma nova categoria de posicionamento político que leva o nome de “independente”. São partidos que nem pertencem ao bloco de apoio ao governo e nem fazem oposição ao mesmo. Aliás muito pelo contrário.

Se o leitor não entendeu direito essa nova categoria está de parabéns. Afinal não é para entender mesmo de tão contraproducente que é essa ideia.

De momento há dois partidos no Congresso Nacional que fazem questão de ostentar esse posicionamento: o PSDB e o Democratas (mais conhecido como DEM). Coincidência ou não, foram esses dois partidos que foram a base de sustentação do governo Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2002 (na época o DEM se chamava PFL).

Apesar do governador paulista João Doria viver às turras com o presidente Bolsonaro, o PSDB no Congresso Nacional não é tão beligerante assim com o Palácio do Planalto. Aliás, o partido conta com diversos cargos no atual governo, principalmente no segundo escalão.

E o que dizer do DEM, que foi no passado recente a espinha dorsal do chamado “Centrão”? Conta com duas pastas na Esplanada dos Ministérios e sabe lá quantos cargos nos escalões inferiores.

Mas as duas legendas fazem questão de reafirmar a sua “independência” diante do governo, querendo assim manter um suposto distanciamento dos arroubos descompensatórios do presidente mito.

Com os recentes trunfos nas eleições municipais, tanto os tucanos quanto os democratas já traçam planos e metas com vistas às eleições gerais de 2022. Com o fiasco do PT em particular e o desempenho um tanto que modesto das esquerdas no geral eles pensam que há um espaço para uma chamada candidatura de centro para a presidência da República.

As conversas, as articulações e os balões de ensaios já estão acontecendo.

No momento oportuno, como já aconteceu diversas vezes antes, os caciques partidários ordenarão que os seus militantes “entreguem” os cargos para melhor se posicionarem na campanha eleitoral.

Mas até lá, antes que isso aconteça, eles serão “independentes”.