Um imenso e silencioso jabuti

 

10/07/2020

 

Mais de uma vez o articulista da Folha de S.Paulo, Elio Gaspari, mencionou o caso da tentativa de compra milionária de computadores, laptops e notebooks pelo ministério da Educação, através do polpudo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Uma joia da coroa, aliás, entregue, recentemente, aos veteranos do Centrão.

O edital 13/2019, lançado em agosto do ano passado, previa a licitação para a aquisição de nada menos que 1,3 milhão de equipamentos de informática, sob a bagatela de 3 bilhões de reais.

Além da quantidade fabulosa de micros a serem adquiridos e o seu valor igualmente impressionante foram detectadas outras inconsistências: 355 escolas receberiam mais de um computador por aluno. Por exemplo, numa escola do interior deste Estado, pelas contas, um aluno seria contemplado por cinco laptops. E outra: duas empresas que mandaram orçamento que continham o mesmo erro de português. E mais do que isso: ambas pertenciam à mesma família.

Nas palavras do próprio articulista: “Tratava-se de um imenso e silencioso jabuti”. Querido amigo mané, aprenda mais essa: o termo jabuti, na política brasiliense, refere-se a casos um tanto estranhos, tanto da forma quanto no conteúdo, e que afetam diretamente o erário público. Este termo surgiu por analogia ao ditado popular “jabuti não sobe em árvore” usado para expressar fatos que não acontecem de forma natural.

Bom, o fato é que tudo isso estava acontecendo enquanto o notório Weintraub (hoje “exilado” nos States) já assombrava o país com as suas perfomances digitais.

Neste interim entrou em cena a Controladoria-Geral da República (aliás uma criação do presidente Lula da Silva, na primeira etapa de sua era), cobrando as devidas explicações de uma licitação permeada de vícios.

O MEC deu tão somente uma resposta protocolar e a Controladoria produziu de 66 páginas sobre o caso. Resumo da ópera: o próprio governo cancelou o edital e a coisa ficou por isso mesmo, sem maiores comoções.

Agora, recentemente, o jornalista Gaspari deu nome ao boi, ou melhor ao jabuti: quem presidia o FNDE na época da publicação do edital era o dr. Carlos Alberto Decotelli, aquele que foi sem nunca ter sido.