Hora de fortalecer o SUS

 

09/04/2020

 

Não é de graça que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, junto com os seus dois principais auxiliares: João Gabbardo dos Reis (secretário executivo da pasta) e Wanderson de Oliveira (secretário de Vigilância em Saúde), realiza as suas entrevistas coletivas vestindo um colete do SUS (Sistema Único de Saúde).

Inspirado no sistema de saúde pública da Grã Bretanha, o SUS foi instituído com a Constituição Cidadã de 1988. Com o próprio nome já diz é um Sistema que integra todos os equipamentos de saúde dos três níveis de governo (município, estado e União). Com ações coordenadas e conjuntas nessas três esferas o SUS procura efetivar o mandamento constitucional do direito à saúde como um “direito de todos” e “dever do Estado”. O atendimento à saúde, enfim, é universal (para todos sem distinção) e gratuito.

Importante também dizer que esse Sistema permite que haja convênios com hospitais de rede privada, ampliando assim o seu campo de ação.

Na atual crise do covid-19 o SUS passará por uma prova de fogo e agora é uma oportunidade valiosíssima para que todos as esferas de poder contribuam para que o mesmo seja plenamente consolidado.

O fato de países como os Estados Unidos e a Itália estarem sofrendo um impacto maior dos efeitos da atual pandemia pode ser explicado pelos seus respectivos sistemas de saúde.

Na nação mais poderosa do mundo, o atendimento público à saúde praticamente inexiste. Está tudo na mão do setor privado. E, mais, cada estado federado tem autonomia para criar a sua própria política de saúde pública. E em certos estados, simplesmente o governo local não se importa com essa demanda. Lá não existe um sistema único como aqui no Brasil.

Enfim, lá, se o cidadão não tem um bom seguro saúde vai ficar na rua da amargura quando ficar doente.

O presidente Barack Obama, para minorar essa situação, criou uma lei que ampliava o acesso dos convênios médicos para as faixas mais pobres da população. Mas aí veio o bisonho Donald Trump que não deu continuidade a essa política.

Assim o acesso ao sistema de saúde continua difícil para a maioria da população norte-americana.

Um dos motivos do sistema de saúde na Itália também ter entrado em colapso foi a falta de investimento em períodos passados, principalmente durante os nove anos de poder do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o conhecido bilionário de tendência neoliberal.

Ônibus lotados

Foi um clamoroso erro da prefeitura daqui de São Paulo de ter permitido que as empresas de transporte coletivo diminuíssem pela metade a sua frota de ônibus em circulação, logo no início desse período de isolamento social.

Os coletivos andaram completamente lotados, contrariando as normas básicas da Organização Mundial da Saúde no que refere a necessidade de distanciamento entre as pessoas.