Tô nem aí

 

08/05/2020

 

Quando o presidente Messias respondeu laconicamente com um “E daí?” ao ser questionado sobre o fato do número de mortes pela pandemia no Brasil ter superado ao da China, logo veio à cabeça do nosso amigo mané, ex-botequeiro, uma música pop do início do século que a sua filha mais velha adorava cantarolar: “Tô nem aí”.

Interpretada por uma cantora juvenil chamada Luka, Tô nem aí”, em ritmo dance, narrava a volta por cima da intérprete após uma desilusão amorosa. Foi um daqueles sucessos instantâneos nas rádios do país, um típico hit que grudava na cabeça das pessoas feito chiclete (como se dizia antigamente).

O Messias, como ele mesmo admite não é operador de milagres e, portanto, não pode fazer muita coisa. Como um bom cristão lava as suas mãos (com álcool gel logicamente) e se isenta dos problemas do mundinho lá fora. Aliás, como costumava dizer aquela ditador soviético Josef Stalin: a morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística.

Enquanto isso aquele velho hit continua grudado na cabeça da gente.

Blocão a pleno vapor

As negociações do governo com o Centrão (que agora se chama “Bocão”, opa, desculpe, “Blocão”) continuam de vento em popa (como se dizia antigamente).

A moeda de troca é aquela velha conhecida pelo tatatatatatataravô do velho mané: a cessão de cargos na máquina federal, que podem movimentar generosos recursos.

Afinal de contas as eleições municipais já estão aí. Com ou sem pandemia.

Judas

Quem diria. O supra-sumo da Lava-Jato, o ex-juíz e agora também ex-ministro Sergio Moro, perdeu aquela unanimidade nacional que ostentava há apenas algumas semanas.

Acusado pelo presidente Messias de traição, o paladino de Curitiba agora é atacado diuturnamente nas redes digitais pela seita.

Apesar de sua gritante timidez, Moro de tolo não tem nada. Se afirmou aquilo (de que o presidente quer uma Polícia Federal alinhada incondicionalmente a ele) é que tem elementos suficientes para sustentar isso.

A sua estridente saída certamente vem infernizando a vida do clã. Mas como em tempos de pandemônio, às vezes, os fatos pesam menos que as versões, a vida do ex-ex não será nada fácil daqui pra frente.