Fim do bolsonarismo?

 

07/08/2020

 

Quando o nosso amigo mané botequeiro viu a capa do jornal “Estadão” da quinta-feira retrasada com a foto do nosso presidente usando um chapéu de sertanista nordestino logo veio à mente uma outra foto que ficou para a história: a do então candidato à presidência Fernando Henrique Cardoso, usando o mesmo tipo de chapéu, e montado num cavalo (parte da imprensa maldosamente falou que ele estava montando num jegue).

Era o ano de 1994 e FHC já surfava no êxito do Plano Real, implementado durante o governo de Itamar Franco. Para se lançar candidato, ele patrocinou uma aliança do seu partido, o PSDB, com o PFL que, para quem não sabe, era o antecessor do atual DEM.

Essa aliança político-eleitoral, que foi apelidada de “aliança pelo atraso”, foi tão condenada pelos seus opositores quanto o seu gesto populista para cativar o eleitorado local.

Mais de vinte e cinco anos eis que o grande Jair repete o mesmo gesto ao (re)inaugurar uma adutora do rio São Francisco no interior do Piauí. Acompanhado pelo senador Ciro Nogueira (PP), o mito foi recebido por um séquito organizado por essa excelência que gritava: “Fim “do” lavajato. Fim “do lavajo”. Sintomaticamente o nobre senador é réu em um dos vários processos da força-tarefa curitibana, que hoje se encontra sob impiedoso ataque por vários flancos.

Os policiais, quando estão em meio a uma investigação (qualquer que seja), costumam dizer que “não existem coincidência”. Nada é por acaso. Podemos dizer o mesmo na política.

Parece que o Jair Bolsonaro que surgiu na campanha presidencial de 2018 e que se consagrou vitorioso nas urnas, no segundo turno daquele ano, ficou definitivamente para trás.

O grande Jair que prometia mudar tudo, mesmo que fosse para ir contra todos e contra tudo, deu lugar a um Jair mais pragmático, mais condescendente e mais cordial com aqueles políticos que, anteriormente, tinha verdadeira ojeriza de estar próximo.

A visita da semana passada ao Nordeste sacramentou de vez a nova aliança presidencial com o Centrão, que aliás, insiste em ser chamado de “Blocão”.

Independentes

E como as coisas não são tão simples assim como o nosso presidente deseja, quando ele se confraternizava com o povo do Piauí, dois dos principais partidos do Congresso, o MDB e DEM (aquele mesmo do início do texto) anunciava a sua saída desse mesmo “Centrão” e se declaravam como “independentes” em relação ao governo.

Bolsonaro parece ter conseguido um respiro e ter afastado por hora a ameaça do impeachment. Mas essas “dissidências” mostram que o Congresso não ficará tão controlável assim como se imaginava.

Bem ou mal, o sistema de freios e contrapesos vem funcionado.