Agora, 2022

 

04/12/2020

 

O PT teve um dos piores resultados em eleições municipais em toda a sua história. Não conquistou uma prefeitura de capital. Deve se conformar em conquistar duas cidades de médio porte aqui na Grande São Paulo: Diadema e Mauá, ambas na região do ABC e que já foram redutos do partido no passado.

Contrabalançando o fiasco do Partido dos Trabalhadores as outras legendas de esquerda tiveram vitória significativas: o PSB ganhou Recife, capital de Pernambuco (derrotando o mesmo PT) e Maceió, capital de Alagoas (com um tal de JHC). Já o PDT, do presidenciável Ciro Gomes, conquistou Fortaleza (Ceará) e em Aracajú (Sergipe). Já o PSOL voltou ao poder em Belém, do Pará, com Edmilson Rodrigues. Será o seu terceiro mandato nessa cidade.

Isso naturalmente influenciará a correlação de forças entres essas legendas que, quer queiram ou não, devem estar num consenso mínimo se almejam algum projeto de poder em 2022, como foi dito neste espaço na semana passada.

O PSDB, com a reeleição de Bruno Covas aqui na capital, reposicionou a legenda no cenário nacional. O governador paulista João Doria num primeiro momento parece o mais beneficiado politicamente com isso. Mas curiosamente amarga ainda índices modestos para a presidência. Parece que não saiu incólume nos seus embates com o presidente mito durante a pandemia.

O DEM, que já tinha conquistado prefeituras importantes no 1º turno, como Salvador (BA) e Curitiba (PR), ganhou no 2º turno no Rio de Janeiro. Diante desses trunfos importantes talvez os demistas sonhem em descolar dos tucanos e alçar um voo solo em 2020. Todavia o DEM é mais uma confederação de caciques regionais do que propriamente um partido no sentido estrito. Não é tão orgânico como o PT e o próprio PSDB.

Mesmo drama vive o MDB. A despeito de sua grande capilaridade por todo o território nacional e ter conquistado no domingo passado uma prefeitura importante, Porto Alegre (RS), a legenda está há anos luz da sua fase heróica, quando era liderada por Ulysses Guimarães e Tancredo Neves.

No Centrão se destaca o PSD, legenda criada pelo ex-prefeito paulista Gilberto Kassab. Conseguiu reeleger Alexandre Kalil em Belo Horizonte já no primeiro turno. Mas o PSD ainda parece um DEM repaginado, um pouco mais moderno.

Apontado como grande derrotado nesse pleito o presidente mito continua igual. A despeito de perder o seu principal paradigma (Trump) Bolsonaro insistirá em fidelizar os seus seguidores de primeira hora.

Pelo jeito o óbvio ululante voltou ao cenário político.