Um plano para o Brasil

 

02/10/2020

 

Em parceria com a Fundação Perseu Abramo, o PT lançou no último dia 21 o “Plano Nacional de Reconstrução e Transformação do Brasil”. A elaboração do documento teve a participação de movimentos e entidades sociais e trabalhistas (CUT, MST, UGT e Força Sindical) e de outros partidos da oposição (PDT, PSB, PCdoB e Psol).

Tanto é que no lançamento do Plano houve a presença de políticos como o governador do Maranhão Flávio Dino (PcdoB) e do ex-senador pelo Paraná Roberto Requião (MDB).

Naturalmente houve críticas ao governo Bolsonaro. Sérgio Nobre, presidente da CUT, afirmou: “o ministro da Economia, Paulo Guedes "tem cinco ministérios, e não toca nenhum”, referindo-se às pastas extintas pelo atual governo: Trabalho, Previdência, Planejamento e Indústria e Comércio.

Um dos pontos que chama a atenção no Plano é a ênfase da necessidade do país superar a situação de simples exportador de commodities agrícola, investindo na industrialização e no mercado interno.

Aloizio Mercadante, presidente da Fundação Perseu Abramo, disse: “O Brasil é o segundo maior produtor exportador de alimentos do mundo. A previsão é que em 2024 nós vamos ser o primeiro do mundo. Como é que um país como esse não tem comida para alimentar o seu povo?”

O ex-prefeito Fernando Haddad afirmou que desde o processo de impeachment contra Dilma Rousseff, em 2016, os brasileiros estão perdendo direitos. “De lá para cá, tivemos desemprego, crise sanitária, epidemia, crise de segurança, de infraestrutura e na educação. E não temos um documento para discutir o que queremos e esperamos do Brasil”, disse.

Na área da Saúde a proposta principal é de fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde), por meio de medidas como testagem em massa, estabelecimento da fila única e produção e distribuição de fármacos e vacina para prevenção da Covid-19. Nos mesmos moldes, defende também a estruturação de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).

Para defender e preservar a Amazônia, o documento propõe tolerância zero para o desmatamento ilegal.

Na área tributária a proposta é a taxação de grandes fortunas e dos rendimentos financeiros, de lucros e dividendos, a fim de “aliviar a carga tributária sobre os mais pobres e as pequenas empresas. Também existe a proposta para a revogação da Emenda Constitucional 95, que estabeleceu o Teto de Gastos, e das reformas trabalhista e previdenciária.

A presidenta do PT, Gleisi Hoffman, criticou a interdição que sempre ocorre nos debates nacionais: ““não cabe, para enfrentar a crise nacional, as velhas saídas negociadas por cima. Entre os sócios da iniquidade, como ocorreu em tantos momentos históricos, sempre relegando ao povo o papel de expectador”.