Frente ampla

 

20/05/2022

 

Apesar de começar a campanha com o apoio de nada menos que sete legendas, de contar com o ex-tucano e ex-governador paulista Geraldo Alckmin como companheiro de chapa, o ex-presidente Lula sabe que é importante ampliar ainda mais esse arco de aliança político-eleitoral, para não somente conseguir uma vitória expressiva nas eleições (e assim ajudar a afastar as insinuações de possíveis fraudes nas urnas eletrônicas) como também para ajudar na governabilidade no seu eventual mandato.

Com o virtual fracasso das articulações para a formação de uma candidatura da chamada terceira via, tanto os petistas quantos os bolsonaristas já estão de olho no “espólio” dessa tentativa frustrada.

Apesar da cúpula do MDB ainda apostar na candidatura da senadora Simone Tebet, já se tornou público a dissidência de vários diretórios regionais, particularmente do Norte e do Nordeste, em favor da candidatura petista. São os casos do diretório de Alagoas, liderado pelo senador Renan Calheiros, e do Ceará, do ex-senador Eunício de Oliveira. Já no Pará, ele espera o apoio do atual governador Helder Barbalho.

Uma outra liderança histórica da legenda foi ainda mais longe e resolveu se filiar ao PT: trata-se de Roberto Requião, ex-governador do Paraná e também um aliado de longa data de Lula.

No evento de filiação, ocorrido em março passado em Curitiba, e que reuniu mais de 3 mil pessoas, houve a própria presença do líder petista e também de Gleisi Hoffman, presidente nacional do PT e também do Paraná. Com 81 anos de idade ele se candidatará novamente ao governo para enfrentar Ratinho Júnior, o atual governador e que apoia o presidente Bolsonaro.

Outro partido que o Lula tem conversado muito é com o PSD, comandado por Gilberto Kassab. Mas apesar de não ter conseguido emplacar uma candidatura própria, Kassab ainda hesita em apoiar o petista logo no primeiro turno.

Em compensação Lula conseguiu um apoio importante dessa legenda: trata-se do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que disputará o governo de Minas contra Romeu Zema (Novo). Além disso, o senador Omar Aziz (PSD-AM), que presidiu a CPI da Pandemia no Senado, também tem se manifestado em apoiar o PT.

Mas Lula ainda guarda grande expectativa com o PSDB. Com grande parte do partido descontente com a pré-candidatura do ex-governador de São Paulo João Doria, já aparecem sinais de dissidências em favor do PT.

Foi o caso nessa semana do ex-senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) que, diante do fracasso da candidatura de terceira via, já anunciou que não somente votará em Lula como fará campanha para ele. “Se quisermos salvarmos o Brasil da tragédia do bolsonarismo, teremos que discutir o que fazermos juntos”, justificou Aloysio.

Outros tucanos históricos, como José Aníbal, também de São Paulo, Arthur Virgílio, ex-governador e ex-senador do Amazonas, Marconi Perrillo, ex-governador de Goiás, podem seguir o mesmo caminho. Há até a esperança de uma sinalização nesse sentido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.