Devagar com o andor

 

08/10/2021

 

Recentemente o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP), e que também foi candidato à presidência em 2018, comentou reservadamente entre os seus companheiros de partido: apesar de viver o seu pior momento de popularidade o presidente Jair Bolsonaro ainda não está morto. Ele continua com a caneta na mão e tem um séquito fidelizado de tamanho considerável que o segue incondicionalmente.

Esse choque de realidade do ex-prefeito aconteceu num estado de quase euforia que tomou conta do PT depois das pesquisas de intenção que aponta Lula da Silva como franco favorito para as eleições do ano que vem. De fato, todos os institutos, mostram o petista bem a frente com chances de vencer no primeiro turno.

Soma-se a isso que a tão desejada terceira via, uma candidatura alternativa de fuja da polarização Bolsonaro-Lula, ainda não decolou. Aliás, todos os presidenciáveis desse aglomerado político ainda apresentam índices ainda muito baixos.

Mas de fato é muito prematuro cravar, ainda a um ano das eleições, um prognóstico tão cabal de uma eventual vitória petista. Como diz também aquele velho ditado: “treino é treino e jogo é jogo”.

Ou para ser mais obviamente ululante: “o jogo só termina quando acaba”.

Além do que, o presidente, que a despeito de perder a sua aura de mito, não está parado. Na semana passada, em um fato quase inédito, fez uma verdadeira tour por diversas cidades (pequenas, grandes e médias) pelo país afora. Só para constar ele deu as caras nas seguintes praças: Teotônio Vilela (AL), Teixeira de Freitas (BA), Boa Vista (RR), Belo Horizonte (MG) e Maringá (PR).

Parecem pouco significativas essas viagens mas na verdade elas fazem parte de uma estratégia maior de mostrar que o seu governo, a despeito de todos os indicadores negativos, ainda pulsa.

Pelo menos, por ora, o presidente Jair deixará de lado aquelas performances grandiosas, como as motociatas, que podem alcançar até um impacto inicial mas que em termos prático pouco agregam politicamente.

O professor Delfim Netto, com mais de 90 anos de idade e com pelo menos 70 anos de vida pública, disse uma vez do presidente: “O Bolsonaro pode ser tudo, menos burro”.

Saindo da bolha

Os atos anti-Bolsonaro organizado pelas esquerdas no dia 02 passado finalmente saíram da “bolha”. Houve a presença de representantes de partidos de centro e até de direita.

Dos presidenciáveis apenas apareceu Ciro Gomes (PDT). Mas outros políticos, como Marcelo Ramos (PL-AM), a senadora Simone Tebet (MDB-MS), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e o ex-senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) enviaram vídeos em que saudavam a união de forças diferentes para combater Bolsonaro.