As terceiras vias

 

03/12/2021

 

Não é de hoje que as eleições presidenciais no Brasil são comparadas a uma corrida de Fórmula Um. São vários corredores que, antes de largada, ou seja, o início da campanha oficial, já brigam para se posicionar melhor no grid.

Por enquanto a pole-position continua com Lula da Silva, o ex-presidente petista. Um pouco mais atrás, mas ainda consolidado no segundo lugar, o presidente mito.

E bem mais para trás, fica o chamado bloco intermediário, com vários pilotos, ou melhor, vários candidatos, se engalfinhando para se aproximar dos dois primeiros colocados.

Esse bloco intermediário acabou ficando conhecido como a terceira via, ou seja, candidatos que tentam se apresentar como uma alternativa à polarização Lula-Bolsonaro.

Grande parte do andar de cima e, principalmente os bonançados da Faria Lima, sonha que todos esses candidatos renunciem às suas ambições pessoais e se unam todos em torno de um só nome, de um só ungido, e consiga assim atrair numa só tacada todos os votos dos eleitores que ainda não se seduzem aos candidatos dos dois “extremos”. Uma candidatura única dessa turma seria uma engenharia política digna de registro histórico

Mas por enquanto o que temos são várias “terceiras vias”. Nesse primeiro momento todos testarão o seu potencial de votos e, conforme as suas evoluções nas pesquisas de opinião, poderão, lá na frente, tentar alguma composição.

Na semana que passou o PSDB finalmente conseguiu escolher o seu candidato. Deu a lógica mais ululante: o governador paulista João Doria. Agora só “resta” a ele tentar unir, de fato, o partido em torno de sua candidatura e, mais pra frente, quem sabe, seduzir as outras legendas em torno do seu projeto pessoal. Para isso ele terá que amassar muito barro e cresceu bastante nas pesquisas.

O ex-juiz Sérgio Moro, já em plena campanha, tenta se vender como um candidato que não seja simplesmente o grande paladino da Lavajato. Quer se apresentar como uma verdadeira liderança política que pode tirar o país da atual enrascada político, econômica e social que se encontra.

O pedetista Ciro Gomes é o mais “velho” candidato dessa terceira via. Percebendo a sua frustrada tentativa de competir com o lulo-petismo no campo da esquerda resolveu investir no nicho da centro-direita.

Afora esses três candidatos ainda existem a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e Alessandro (Cidadania-SE), que se destacam durante a CPI da Pandemia, e o também senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que aliás é o presidente da Câmara Alta.  Mais atrás ainda, restam os candidatos “nanicos” como o cientista político Felipe D’Ávila (Novo-SP) e o Cabo Daciolo (Brasil 35, ex-Partido da Mulher).

A volta do Lula paz e amor

Convencidos de que Lula tem lugar garantido no segundo turno, a cúpula petista acredita que esses candidatos da terceira via centrarão fogo em Bolsonaro, para tentar roubar a sua vaga na grande final.

Assim o partido poderia fazer uma campanha muito mais propositiva e programática, focando em avançar no eleitorado ainda averso ao ex-presidente. Nessa estratégia, ganha força a “solução” Alckmin como vice na chapa.