Ele só pensa naquilo

 

24/04/2020

 

Respeitada jornalista do canal pago Globonews, Cristiana Lôbo, deu uma definição atilada do Capitão no atual momento do país (e do mundo): “Jair Bolsonaro não é apenas um animal político. É também um animal eleitoral. O seu foco está em 2022.”

Pois é, o grande Jair só pensa naquilo: na sua campanha à reeleição em 2022, quando ambiciona ganhar mais quatro anos de poder e, quem sabe, assim, inaugurar uma dinastia familiar que se perpetuaria na Palácio do Planalto sabe lá por quanto tempo (só de pensar nisso já dá um baita arrepio na espinha).

Enquanto um mundo inteiro fica em suspenso por conta de uma pandemia sem precedentes desde a gripe espanhola de 1918, Bolsonaro mór vai, por palavras e atos, pavimentando o seu projeto político-eleitoral.

O dr. Mandetta, de fala mansa e respiração pausada, tornou-se um perigo potencial a esse projeto e foi devidamente defenestrado. Ao contrário de Sérgio Moro, que baixou a guarda e, portanto, está por lá até hoje, o médico matogrossense partiu pra cima do chefe feito piloto kamikaze. Imolou-se em praça pública e virou herói nacional.

O capitão sonhava com um Osmar Terra no lugar do mártir, mas possivelmente a ala do bem senso impôs o nome do oncologista dr. Nelson Teich, também respeitado pelos seus pares, assim como o seu antecessor, mas quase cru em termos de saúde pública. Assumiu o melhor lugar do mundo no pior momento. Cauteloso e até meio assustado, ele é o novo comandante da cruzada nacional contra o vírus traiçoeiro.

Transporte público em São Paulo

Enquanto o governador de São Paulo, João Doria, com toda a pompa e cerimônia de que ele tem tanto apreço, anunciava a segunda prorrogação do isolamento social no Estado, os ônibus, trens e metrôs da maior região metropolitana da América do Sul, continuavam a andar lotados.

Complacentes com os empresários do transporte de massa, tanto o governador quanto o alcaide Covas permitiram que as frotas de ônibus intra e intermunicipais fossem diminuídas à metade. Uma atitude inexplicável já que a aglomeração expõe ao risco da doença os trabalhadores mais pobres que não têm veículo particular para chegarem aos seus locais de trabalho. Certamente são empregados de hipermercados, farmácias ou das áreas de segurança e limpeza que, por conta de sua essencialidade, devem continuar funcionando.

Pode ser mais um “achismo” nestes tempos de especulações histriônicas, mas não estaria aí a explicação para o fato do novo corona ter chegado aos bairros mais periféricos? Nunca é demais lembrar que quem introduziu a Covid-19 no país foram os cidadãos do andar de cima, após voltarem da Europa, principalmente.

Nessa toada essa quarentena não servirá para nada.