Pobre classe média

 

09/10/2020

 

Há cerca de três semanas o articulista da Folha Elio Gaspari escreveu o seguinte na sua coluna: “A “ekipekonômica” quer tirar dinheiro de quem não o tem porque não quer ir ao bolso de quem o tem.”.

Na época ainda se falava em Renda Brasil. Agora o Jair rebatizou o formato para Renda Cidadã. Mas em essência a ideia é igual: criar um Bolsa Família que possa ser chamado de seu, tentando se apropriar assim do programa social mais conhecido do lulopetismo.

Nestes tempos de Teto de Gastos e de pandemia não está sendo fácil de arranjar algum recurso que possa bancar essas ambição político-eleitoral do novo status quo.

Os “çabios” do postoipiranga já aventaram várias fórmulas para tentar tirar o leite da pedra: da recriação da CPMF com o nome de Imposto Digital até alguma manobra contábil, mais conhecida como pedalada e que foi o pretexto usado para “legitimar” o processo golpista contra Dilma Rousseff.

Todas essas possibilidades esbarraram em problemas técnicos, políticos e jurídicos.

Logo no início dessas discussões tentou-se também extinguir outros programas sociais consolidados (como o Farmácia Popular). Ou seja, aquele velho embuste de descobrir um santo cobrir outro. A ideia foi tão desastrada que o Jair fez questão humilhar publicamente o dr. Guedes ao bradar que “não iria tirar do paupérrimos para dar aos pobres”.

Agora o governo tenta fazer mais uma mágica. Para arranjar dinheiro estuda-se nada mais nada menos que extinguir o histórico desconto de 20% concedido automaticamente a contribuintes que optam pela declaração simplificada do Imposto de Renda da pessoa física.

Quem opta pelo modelo simplificado tem uma dedução padrão de 20% do valor dos rendimentos tributáveis, abatimento que substitui todas as outras deduções. O limite atual desse desconto é de R$ 16.754,34 por contribuinte.

O nosso amigo mané, reis dos pubs da Pindorama, já percebeu que o ataque agora do bolso do pobre cidadão de classe média. Essa tungada atingiria cerca de 17 milhões de contribuintes.

Não verás país nenhum

Ricardo Salles, aquele que quis fazer passar uma boiada no auge da pandemia, conseguiu proeza de juntar todo mundo contra ele. De ambientalistas e setores produtivos conscientes, o ministro do Meio Ambiente forjou uma unanimidade rara mesmo nestes tempos de Admirável Brasil Novo. É de fato um fenômeno.