Invocação do mal

08/11/2019

Foi uma comoção nacional. O filho Eduardo, aquele que sonhava em ser embaixador do Trumpistão, conseguiu desagradar a gregos e troianos, petistas e não petistas, belgas e não belgas.

Ao invocar a volta do famigerado AI-05, Dudu provocou uma rara unanimidade geral num ambiente em que a polarização se mostra ainda resiliente. O estrago foi tamanho que até o Bolsonaro mor teve que intervir e dar um pito público no pimpolho. Como diria o barbudo de Curitiba: “nunca antes na história deste país...”

Mas a despeito do espanto geral da nação, as bravatas parecem não ter criado repercussões mais efetivas contra o Dudu, que, por acaso, é deputado federal.

A despeito de uma reação veemente do presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), nada será feito contra o boquirroto.

E assim caminha a humanidade por essas praias. Em outras democracias mais consolidadas e mais sérias, um parlamentar que dissesse um absurdo desses certamente sofreria um processo que poderia resultar na perda do seu mandato.

Mas seja por corporativismo, ou por outro motivo qualquer, o Congresso Nacional quer tentar botar uma pedra sobre isso.

Aliás uma coisa que o mané botequeiro percebeu é que paira uma certa complacência geral diante dos absurdos e ataques generalizados que o clã veem impetrando desde que assumiram o poder.

Em mais de uma analista da imprensa amiga o nosso amigo mané vem lendo a seguinte argumentação: “se a economia começar a crescer um pouquinho essas bravatas dos Bolsonaros ficarão em segundo plano”. “Se os investimentos chegarem ao país ninguém se importará com que o presidente e seus filhos falam”. E outras lousas e mariposa.

Não deveria ser assim. Afinal desde que o governo da Nova Era começou os ataques generalizados são uma constante. Como foi dito antes eles não admitem a convivência com o contraditório.

É uma narrativa perversa que tenta e se impor e pode ter consequências imprevisíveis para a democracia no futuro.

Chile em transe

O modelo neoliberal adotado pelo Chile beneficiou muita gente. Menos para o povo, que está mais pobre, e para a classe média, cada mais endividada. Que isto sirva de alerta para aqueles que acham que o posto ipiranga será a grande salvação da lavoura.

90 anos

O radialista Salomão Ésper, da rádio Bandeirantes, anunciou a sua aposentadoria. Ao lado de José Paulo de Andrade e do saudoso Joelmir Beting, o nonagenário formou a trinca histórica do Jornal Gente, até hoje no ar. Ao mestre Salomão o nosso eterno agradecimento e admiração.

Baixa

E a mesma rádio Bandeirantes anunciou que o historiador Marco Antonio Villa deixará de participar do Jornal Gente. Villa era um dos veementes críticos do atual governo e da polarização estéril que domina o país. Alegou razões pessoais para a sua saída.

Uma pena.